À porta

Eis que deparei-me à porta, uma porta que se abre para a eternidade, uma passagem secreta, não era para ser, mas quem sabia disso, ou melhor, quem sabe? Os olhares sempre buscam lá fora a saída e mal sabem eles que mesmo sendo um labirinto, sua saída está em si, a porta da saída para o que é efêmero é você mesmo, porque é uma questão de estado, você pode ser um pedaço do céu ou um pedaço do inferno, depende do que o teu campo reflete, ou para quem sua porta se abre. Não se tratam das águas impuras soletradas ao vento como se o “universo” retornasse a ti àquilo que você diz atrair, isto é falso, é pura hipocrisia, mas se trata de abrir-se àquilo que você deseja no coração, se o pó que é fugaz e morto, ou o céu que é eterno e vivo. Trata-se do teu querer porque me impressiona a delicadeza da busca de uma pérola, quem se importa em ir ao mais profundo do mar para buscá-la? É o desejo que fala mais alto, e não há empecilho para àquele que deseja ter, mesmo que isto seja por pouco tempo, quanto menos se importaria àquele que deseja viver, que busca por sua vida eterna?  Este, muito menos se importaria em ir até o hadal do seu mar para buscar o tesouro da vida, onde o seu desejo é ser, ser eternamente. Uma busca valiosíssima, onde o retorno é a salvação da tua alma, é colocar-se em alto retiro, retirar-se do finito e se ver do outro lado do infinito. Um caminho trilhado no âmago do coração, onde só o encontra àqueles que são castos, que buscam a justiça e o amor, que se abrem à compreensão do seu ser, para que de fato torne-se porta aberta à vida, deixando tudo o que é eterno habitar-te para tornar-se casa do Altíssimo.

 

Por Patrícia Campos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

14 − treze =