A vida e a morte

A vida e a morte sentaram para conversar, a vida trouxe a luz e a morte trouxe a escuridão para variar, mas ambos se complementam, e geram a consciência para manifestar. O grande problema é que nenhum dos dois soube solucionar, o caminho é tão perfeito que não pôde se concretizar. Quem imaginaria que a moça tão desejada não iria se valorizar, e nem mesmo a morte entendeu o porquê ela decidiu lhe abraçar. Diga-me vida, disse a morte, diga-me o que o mundo fez para fenecer? E a vida intrigada lhe respondeu, ele se doou ao seu leito, que parecia aconchegante, mas no fim não viera ser. Insanos, pensaram, e agora o que podemos fazer? Se perguntaram. A vida já sem esperança, entristeceu-se com sua conclusão, preferiu escolher o fim, a que dar seu dom. Já que todos querem suas mãos, morte querida, dê a eles seu corpo, já que todos buscam seus desejos, dê a eles seu oceano, já que todos buscam seus poderes, dê a eles sua escuridão, e assim como tudo o que toca morre, toque em todos, no mais profundo do coração, e deixe que seu câncer se alastre, deixe que seu espinho se aprofunde, que a rosa murche, e deixe que tudo caia nas mãos do tempo, e ele vai fazer seu papel, assim como você vai fazer o seu. A morte então, se assustou com essa decisão, e perguntou, o que sobrará para você? A vida não soube o que responder, e disse, com voz triste e solitária, tudo me foi prometido, mas nada herdei, nunca me sobrou nada, e agora o que poderia fazer? O campo nunca floriu, o pomar nunca deu frutos, o ventre nunca gerou uma criança, e a semente nunca brotou, o que posso desejar, se nunca tive? As luzes são sempre sozinhas, mas a escuridão sempre se uniu, como posso ser inteiro por aqui? Prefiro voltar a minha porção, e me esquecer de que um dia pensei em florir.

 

Por Luiza Campos

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