Anais da alma

Registro pessoal, lembranças, crônicas de memórias. Um arsenal com tudo guardado, fatos, histórias vividas, sentimentos. Imagine o quão profundo é mergulhar a nossa imensidão, trabalhar nossa consciência para o proveito de Deus, requer uma dedicação minuciosa, olhos altivos, elevados, seriedade no auto reconhecer-se para não se esquivar de nenhum detalhe, pois somos imensos em largura e em profundidade e quantas coisas temos arquivadas por trás de outras inúmeras pilhas de camuflagens que cegam nossos olhos de nos ver de verdade e de refletir-nos como num espelho, frente a frente com cada detalhe que se alojou em nossa consciência desde o início da produção deste fruto? É uma regressão interna no caminho da alma para enxergar coisas que a consciência atropelou e esmagou causando feridas profundas, que até então, nunca curou, o tempo pode passar, mas o que a consciência viveu, guardou na última gaveta da estante, e ainda está lá, debaixo dos escombros de uma vida sofrida. Memórias, traumas, orgulho ferido, decepções, ações inconsequentes, intenções, capacidades, tudo está ali armazenado, e para trabalhar essa consciência e colhe-la para o proveito de Deus é preciso revirar toda essa casa, ter compreensão de que isto faz parte do caminho de purificação, a morte carnal em vida, o transformar, o metamorfosear, a negação de si mesmo, tudo isto é para o bem de Deus e da nossa alma, não temos que ter medo de aprofundarmos o desconhecido, pois como limpar uma casa se não revira-la toda? Não podemos ficar somente no que nos dizem a respeito ou sentem de nós, mas eu preciso realmente enxergar, sentir e discernir meus sentimentos, pois muitas coisas nos são faladas, mas sou eu que tenho que mergulhar dentro de mim mesmo para testificar o que há escondido por detrás da muralha, desse mar profundo e desconhecido. Somos desbravadores do nosso próprio oceano e da nossa parte não podemos ser orgulhosos como Naamã que não queria mergulhar no rio Jordão para se curar, pelo contrário, a obediência tem que partir de nós, fazer o que Deus ordenar e banhar-se quantas vezes for preciso para a nossa consciência expandir e exalar o mais puro aroma da vida, pois se trata de uma verdade, um trabalho em conjunto com Deus e fazendo nossa parte, não tem erro. Já temos o anjo da vida dentro de cada um de nós para iluminar essa imensidão e mergulharmos sem medo em nosso abissal, pois esse é o caminho que nos leva ao plano celestial e com certeza contemplaremos o grandioso mar de vidro.

Somando nossas luzes

Por Maria Lúcia e Michele

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