Clamar pela própria realidade

Dentro, no interno, há um caminho inverso, para se chegar em si, no seu verdadeiro eu, um lugar onde ninguém quer adentrar-se por conta de seus traumas, tristes raízes, lugar onde a penumbra se instala por falta de amor próprio, porque é preciso se amar para enfrentar sua realidade, coragem para arrancar seus medos. Não há como ficar impune a seus atos frios, seu peito vazio, o julgamento é seu por você mesmo, você é que tem que se julgar, com um olhar justo, o olhar de Deus, só então poderás realmente aliviar sua pena, desmembrar-se da sua sentença, não cabe a ninguém o teu julgamento, mas cabe a você, porque tu és testemunha de ti mesmo, e podes fazer o juízo segundo o teu caminho. Mesmo que isto dure noites de mares, a ponto de afogar-te em suas lágrimas perdidas até que se encontre de fato, e tenha esperança de poder transformar, porque o jugo só se torna leve se você o sentir pesar no seu coração. Não há como você se absolver dos teus erros, e nem fazer questão dos seus fracassos, porque só se fortalece àquele que se joga no fundo do poço por se ver de verdade, e ver o quanto fez de si mesmo um sem valor, o julgamento tem que ser interno e verdadeiro, não se pode querer conhecer o hadal da própria alma ficando beira mar, querendo mascarar o que se é, isso não vai te aliviar em nada, não se deve culpar ninguém pelas tuas mãos sujas, foi você quem as sujou. É difícil eu sei, mas é preciso clamar pela própria realidade, mesmo que doa, mesmo que sangre, caso contrário o superficial vai fazer de ti superficial, e o que é material vai permanecer até o deitar do pó e depois sobrará somente a tristeza da perda da vida.

 

Por Patrícia Campos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 + dezenove =

Categorias

Postagens Rescentes