Curar-se

Como posso esperar do outro aquilo que não faço em mim mesma? É tão fácil abrir a boca e falar do outro aquilo que também tenho em mim, ou mais fácil ainda é julgar sem nem ao menos perceber a luta que o outro tem dentro de si mesmo. É tão simples julgar quando vemos um irmão ligado aquilo que eu não sou ligada, o difícil mesmo é me analisar e ser sincera comigo mesma ao ponto de admitir como hoje se encontra a minha consciência e não ter nada a esconder principalmente a quem está dentro de mim, pois este sim me vira do avesso e me mostra como sou. Não precisamos de dedos apontados para sentir o desprezo do senhor diante os próprios erros que cometemos, e por muitas vezes damos ouvidos ao externo nos preocupando apenas com o outro e esquecendo de nós mesmos diante a tantas ações em nós que entristecem o nosso senhor. Mas ele que em nós habita, toca a todo instante em nossa ferida que dói profundamente e sangra para que de fato nos rendamos aos seus pés e nos humilhemos e supliquemos para que ele nos transforme, nos tire todo este lodo e nos limpe desta lama. É se entregar mesmo por inteiro para ele fazer a sua obra em nós, igual o bandido que se entrega a lei e prefere pagar a sua pena do que continuar fugindo. O processo de cura sempre foi o mesmo, pois ele vem com o sabão dos lavandeiros e com o fogo do ourives queimando tudo pela frente até que não reste nenhuma chaga viva, mas temos que ter a ciência de que esta dor é necessária para a nossa revolução interna, dentro daquilo que Deus espera de nós, pois como poderia ser a cura das próprias feridas, senão, mexendo nelas ainda estando abertas, lavando-as e passando medicamento fortes para que não entre nenhuma bactéria, pois os cuidados são precisos, justamente para curar-se por inteiro, por isto a água natural que sai da boca do espírito de Deus é mais que necessária para este nosso processo de cura.

Por Milena Gomes

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