Despertar

Acordei tarde, acordei muito tarde para perceber a minha burrada, foi uma grande perda, não tem mais volta, ando por este deserto todos os dias e noites a procura de seu oásis, não acredito que eu tive esta oportunidade e a joguei fora. Lembro de encontrá-la pela primeira vez, pensei que fosse miragem, fiquei espantado com tanta claridade, sua água fez com que meus olhos não piscassem para não perder um milésimo de beleza, uma água cristalina refletia minha imagem, uma água limpa, algo que eu nunca tinha visto, fiquei admirando-a por muito tempo, não sei se foram dias, meses ou anos, mas não fazia questão do tempo que me passava enquanto admirava.

Sempre que chegava o sono, eu me deitava na areia e fazia um travesseiro com folhas secas, sempre meu corpo direcionado a bela água. Foi muita burrice minha não ter entrado de cabeça logo que a encontrei, mesmo com tanto ardor não entrei, sempre a admirei, somente eu e ela a todo o tempo, sempre tive interesse em me banhar em suas águas, mas nunca tive disposição, eu a rodeava, conhecia cada detalhe externo, sua profundidade clara nunca enxerguei, mas sei que é bela. Hoje penso a oportunidade que tive e joguei fora, poderia estar puro diante tanta sujeira das areias, estaria puro hoje, sempre fui banhado por água suja, mas quando tive a chance de me limpar eu a joguei fora. Quando deu meu tempo dei as costas e segui para o deserto novamente, eu estava com saudades e voltei para o chiqueiro. Eu sei que ela está por aí e quem a encontrar deve se despertar e se banhar de sua água, não tive a real sensação de sua presença, mas falo para todos como se tivesse mergulhado profundo, mesmo sabendo que não molhei as mãos.

 

Por Luiz Gustavo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

14 − 14 =

Categorias

Postagens Rescentes