Esta é a minha realidade

Eu tento disfarçar daqui, fantasiar dali, inventar de lá, mas sempre bato de frente com a minha realidade, ela é fria, nua e crua, não tem acordos, é o que eu tenho que passar. Dor no peito, tristeza na alma e um frio no coração, tento disfarçar para os outros, mas não tem como mentir para mim mesmo. Lá no imo tem um martelo que não para de martelar, é como uma música de uma nota só, pén, pén, pén, pén… Parece sangrar, não tem como mudar de posição, um peso de um lado só, sonho daqui, sonho dali, tento disfarçar, mas o martelo não para de martelar. Choro sozinho a minha dor, não tem com quem dividi-la, pois sei que cada um tem a sua, cada um sabe onde o seu sapato aperta, cada um sabe onde o seu calo dói. Parece que não tem como compartilhar, a vida é assim, mas ela não teve dó de mim, parece que não dói, mas a dor é profunda, e cada um parece ter a sua sina. Cada um sabe realmente o que te perturba, e parece que o próximo não entende, é você, você e mais você, e mais ninguém, a dor é só sua e ninguém sente a dor do outro.

Enquanto isso o bonde passa, e não leva a tristeza de ninguém, mas nós só o vemos passar e ir embora. Ah! Como eu queria ir com ele, deixar tudo para trás, ter uma vida nova em um outro lugar onde ninguém me conhece, começar tudo de novo e não fazer nada do que já fiz até hoje. Começar do zero, nascer de novo, não ter compromisso com ninguém, fazer o certo. Sair desta penumbra, andar onde tem luz, ver onde pisa e não esbarrar em problemas que não existem, não se relacionar com pessoas problemáticas, não ter sentimentos por nenhum relacionamento, não conhecer o mal, fazer tudo diferente, mas quando eu já estou quase lá em meus pensamentos, vem o martelo e… pén pén pén… Me joga contra a parede, e eu me machuco todo, e volto para a minha realidade. A coisa é fria, nem entorta e nem endireita, mas é fria como ela é. Imagina só, a minha esperança está na morte, pois em vida vejo que não tem mais como mudar, é aceitar a realidade, ou fazer cara feia para as maldades, eu sempre disse: um lugar que a miséria alheia é fonte de lucro, como pode ser bom? Você luta para acertar e todos a sua volta lutam para te derrubar, é uma coisa insana, sem explicação.

Não estamos dentro de um propósito, mas cada um tem o seu, e se você atravessar o caminho de alguém, este alguém te atropela. Quem faz caso de um andarilho, ou de uma criança com fome, ou de uma família necessitada, só te chamam de irmão quando você tem alguma coisa a oferecer, mas se não tiver, quem é ele? Irmão biológico de sangue, mas não do coração, não te liga nem para perguntar como você está, mas só se você tem alguma coisa a oferecer. Você não pergunta, o outro não responde, e ficamos assim, como desconhecidos. A paz do senhor irmão, mas que Senhor? Gosto de uma letra que diz: de que me vale ser filho da santa, melhor seria ser filho da outra, outra realidade mais amena. E eu aqui com o propósito da vida nas mãos, mas o que fazer com ele, uma vez que ninguém abre mão? Vou para o meu canto e ficar quietinho, pois já vi que neste mundo ninguém me nota.

Por O teu espírito diz

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