Êxodo

E se o povo de Deus não houvesse escutado a sua voz, teriam vencido o deserto? A luta constante por uma alma pura, mas realmente tem a cura? Se não escuta, não muda, como voar nas alturas sem antes metamorfosear? O caminho é um só, e as leis da vida fazem o mesmo, quem escuta o pó não entende os termos, para andar o som tem que soar, o céu canta de todas as formas, e pelos passarinhos começa a piar, gorjeia vida, e traga luz, sua sabedoria sempre bem-vinda no coração que a ela reluz, seu nome escrito nas pedras eternas, e seu firmamento eternizado na tela infinita, goteja como gotículas estelares, alimenta o solo, dignifica o ventre e abrigando a alma, faz de si seu colo. Moisés esperou no Senhor, por isso sua voz soou, pelo fogo surgiu as ordens, santas de uma forma que impuras eram sua base, glorificou a vida em seu coração, e levou liberdade a escravidão, mas antes de tudo questionou: como saberei que achei graça aos teus olhos? Assim deveria se repetir, de geração em geração, a história que veio a porvir foi a tristeza da escuridão, as trevas apanharam o mundo, e o mundo se doou as trevas, tudo que antes era vida, hoje tornou-se quimera, não posso dizer que há esperança, pois ela mesma já não se conhece, nem mesmo o céu concebeu-a, e deixou que o mundo se arruinasse, caindo no precipício sem chão para que pares.

Êxodo havia me dito que seus braços abrigam o universo, mas que hoje tem tristeza por sua hermenêutica, pois seu colo carrega apenas tristes versos, e o caminho que devia estar repleto de anjos, está vazio, sem nenhuma voz, sem nenhum canto. Onde há beleza para que possa busca-la? Ela habita nas profundezas, no abissal das águas, pura, sem mácula, onde posso ancorar meu coração, vive em todos, mas nem de todos é, por isso a tristeza, por ter tal grandeza sem nenhuma fé. Era só esperar, que o tempo diria, e o céu falaria que conhece-te por nome, e contigo estaria. Não saberia dizer, o porquê de tudo estar assim, mas de uma coisa eu sei, vou mudar em mim.

Por Luiza Campos

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