Filho pródigo invertido

Pensou talvez que fosse melhor viver a sós com o egocentrismo, despediu-se então do amor, deu adeus a liberdade e desvencilhou-se da paz, unindo-se aos amigos do ouro e não de ouro, foi conhecer o mundo de interesses, rodeado de cálcios largos, escancarando uma alegria amarela. Enquanto uma taça de vinho lhe esquentava, parecia cheio de vida, sua boca escancarada, cantava seu desvio em melodia, e assim seguia seus dias. Até que o vinho da taça acabou e seu bolso furou, a tristeza então se alojou, e sua barriga vazia, roncou. Não sabia o quão difícil era viver com o egocentrismo, sentiu falta do amor, quis encontrar-se novamente com a liberdade, quiçá a paz lhe perdoasse, quem sabe…

Chegou ao extremo de desejar o alimento dos farejantes, que situação, que situação, como pôde trazer tanta amargura ao seu coração? Se arrependeu do seu feito, de não ter se importado em ser um dos eleitos, deixando seu pai o qual o guardava num relicário em seu peito, falhou perdendo qualquer direito, mas teve honra, levantou sua cabeça, se reergueu e foi ter com àquele que de fato o amava, e antes mesmo de chegar ao seu lar, seu pai comemorava a volta de um filho perdido, entre choros incontidos, dizia ele: voltou o meu filho querido!

Do outro lado, vejo a inversão da história, onde alguém foi atrás de sua glória, alcançou vitórias as quais ficarão na memória. Reconciliou-se com o amor, prendeu-se a verdadeira liberdade, fez aliança com a paz, uniu-se ao que reluz e foi conhecer a sabedoria, provou do vinho da vida, soltou sua língua florescendo amor aos corações em melodia, porém, um dia não quis mais tomar deste vinho que esquentava sua alma, preferiu voltar ao seu jardim de inverno, desejou alimentar-se dos enganos, fantasiando o seu universo. Triste verso, triste inverso. Eis a história do filho pródigo invertido, que se despediu do mal para encontrar-se com o bem, mas se arrependeu e voltou a reencontrar-se com o seu mal. E todos quantos o rodeavam quanto o caminho antigo do engano, fizeram festa e o recebera de braços abertos em seus caminhos incertos.

 

Patrícia Campos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

17 + um =

Categorias

Postagens Rescentes