Flautista de Hamelin

Vão os roedores, levando suas sujeiras, sobem o precipício, quem vai para-los na beira? Vão os roedores, com todas suas nojeiras, se afogam em suas dores, hipnotizados, enganados, fadados a ladeira. Quem acordaria deste transe se seus sonhos cantarolam em seus ouvidos? Venha, venha, as notas dizem, venha escolher seu destino! Mal sabem os pobres roedores, que escolhem sim, mas escolhem a perdição. Flauta maldita, dizem eles, cegam a sanidade, mas quem quer ser são em um mundo ilusório? Todos assobiam suas próprias angustias, e engodam seus próprios olhos, uma linha tênue entre a realidade e seus sonhos, os dois são vazios, mas apenas uma traz uma falsa impressão de paz. Loucura, loucos em cima do muro, quem sabe a queda amorteça seus rancores, e apague seus ardores, quem sabe que este som não traga acalento? Por mais que por pouco tempo… Ah! Vida triste, na verdade, alma fria, não se completa, mas se repleta de cânticos enganosos. Ah! Tempo furioso, corre, corre sem freio, e sufoca pensamento gordo. O flautista sabe que quando toca, nada mais importa, que tem todos no sibilar de sua flauta, não há nada de grande para ser falado, mas muitas enganações a serem tocadas, não há nada de sábio em seu toque, mas muito cuidado, pois as vozes soam em flauta falsa. Quem escuta sua flauta se faz surdo para a beleza da harpa, os roedores não se importam, não se queixam, não se questionam, eles correm, sem cuidado e sem parar, rumo a seus desconhecidos, a seu descontrole, quem vai conseguir te segurar na queda? Haverá de pensar, onde que sua alma vai parar? Ninguém se depara com a vida, apenas escutam suas fantasias, e nadam com a correnteza sem se questionarem, aonde que esse rio vai desaguar?

 

Por Luiza Campos

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