Lavei as minhas mãos XIII

Essa expressão cai muito bem para quem não quer carregar um peso de culpa nas costas ou diante seus olhos não querer enxergar as mãos sujas do sangue da injustiça, pois é um ato vergonhoso, mas o que adianta esconder os salpicos de sangue sendo que a alma se banha do pecado? O coração está manchado de más intenções, de erros encobertos, de segredos guardados, apoia os seus, alisa o diabo, e quer cair fora do que está presa até os dentes? Pode-se lavar as mãos para que os outros não vejam as suas iniquidades, a falta de amabilidade, de sensatez, as suas loucuras não se escondem dos olhos da vida, pois estes enxergam até a capacidade de uma consciência, desvenda os mais horrendos dos pensamentos, nenhum detalhe se esquiva do Senhor justiça nossa, porque sua voz é espada que atravessa o profundo do profundo de um coração, pois no reflexo do espelho da vida é visto toda a leviandade e corrupções da alma, não há verdade, sobriedade, os pés pegaram outro rumo, caminho largo com sorrisos bordados, bem disfarçado com tela borrada, arco-íris desenhado, mas não pintado com as cores vívidas e dançantes, as crianças cresceram e largaram as tintas da vida que coloriram o caminho das pedras, esqueceram da pureza e enterraram a inocência e as mãos sujas da morte até hoje clamam por um perdão que nunca terão.

 

Por Maria Lúcia

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