Mão estendida

Eu me vi ali caminhando sozinha, sem rumo sem eira, nem beira, sem direção.
Fui deixada por aqueles que diziam me amar, vendida na esquina por menos de um cêntimo, desprezada entre os que juraram nunca soltar as minhas mãos, apedrejada no meio daqueles que cometeram os mesmos erros, jogada ao relento com fome, com sede e frio.
A minha boca salivava os alimentos divinos, comia as migalhas que caíam ao chão, no entanto aquelas saciavam a fome da minha alma.
Avistei de longe uma mão a mim estendida e com seu braço forte me ergueu até o alto monte, sua voz era como de um anjo celestial que quando falava, cessava todo o meu pranto. A dor em mim não mais existia, minha alma transbordava de alegria. Os meus olhos brilharam como a luz do dia, meus pés seguiam em passos firmes, rumo a luz da sua infinita sabedoria. Minha alma feliz se encanta,
busco o saber direto da fonte. A paz tão sonhada encontrei naquele que me fortalece. Ninguém dava nada por mim até ver seu brilho reluzir aqui dentro.
De nada a minha alma sente falta e se fortalece naquele que pouco a pouco me molda. Em mim está suas mãos estendidas. Ouvi a vida me pedindo o coração e eu me coloquei em suas mãos.

 

Por Milena Gomes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

20 − 15 =

Categorias

Postagens Rescentes