Nas profundezas do oceano

Ao navegar notei que o céu tocava o mar, vi que as nuvens se assemelhavam as espumas do oceano, entendi que, se cristalina, reflete as estrelas, e que se fazendo espelho, se torna um desconhecido tanto quanto a imensidão do universo. Notei que sou abissal, e que por isso o céu me desejava, assim como seu azul tenho carregado também sua cor, e que por ser simetria das nuvens nossos braços se entrelaçam no mais belo arco, onde as sete cores começam no vácuo e terminam sobre a zona crepuscular, e entendi que por ter brotado em tempo fugaz tornei-me assim, conhecerei o luto da morte, para entender a glória da vida. Viva, mas viva a vida, com vida, e para a vida, viva, mas viver nos laços do oceano, onde o leme se faz pura ação, alavancado por seu pulsar, somos todos infinitos, agora como o passará? O mar não seca, mas suas lágrimas podem secar, o tempo não para, mas seus dias podem parar, por isso quem não mergulha nunca vai se libertar, e quem não voa nunca vai poder entender a beleza de voar, e como pode uma flor que nunca floriu herdar com as pétalas que já desabrocharam? A justiça dos campos não engana o outono, o que não floresceu na primavera não poderá florir mais, por isso, aqueles que se perderam, não poderão se encontrar mais. Quem ouve a voz do céu e sente a brisa do mar? Quem pode dizer que não teve chance de mudar? Muitos são aqueles que vivem sem saber viver, e se perdem nos desejos que um dia irão fenecer, raso tempo que vem a nascer, na beira da praia não conseguem entender, a matéria é descartável, e quem se liga a ela também vai ser. Profundas são as águas do oceano, e conhecidos se fazem aqueles que desbravam além de seus mantos.

 

Por Luiza Campos

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