No ínfimo das entranhas

Pelos becos internos encontra-se toda a história escrita na memória, alguns pontos inconscientes, mas mesmo assim ali se alojam. Quantas e quantas vezes você vai para a cama assustado, onde o medo lhe põe para dormir, te canta uma canção de ninar para que esqueças aquilo que é melhor nem lembrar! Quantos medos nas esquinas da vida foram abandonados por seus traumas, os quais não são esquecidos pelo inconsciente. O abandono vira mancha deixando um rastro profundo na sua estrada, uma marca tatuada na tua alma. Há também um lado obscuro, desconhecido, o qual precisa ser desbravado, onde somente a consciência candeia, pode, se quiser, adentrar seu lugar mais ínfimo se transbordando do óleo que se chama vida, este é a luz dos Homens, dos simples sábios porque seus dois lados encontram-se no mesmo lugar, sendo um abstrato ao outro. Onde mora o medo também mora a coragem, onde reside o preso, também se aloja a liberdade, a força e a forca, o fim e a eternidade, o vazio e a completude, o efêmero e o rebento eterno, a cisterna seca e a fonte da vida.

Cada um destes é um nicho onde a consciência quando adentra, escancara seus lábios, ou derrama seu mar. As raízes de tudo o que plantamos junto às lembranças, desde menino, nos fazem assistir a um filme vivido e é preciso definir onde se chegará, se é que chegará, ou no fim de nossas histórias, porque se quisermos, nela poremos fim, ou senão, se também quisermos faremos com que, pela vida, não tenhamos fim. É preciso procurar pelo poder em nós, o poder em ser, sermos eternos, para que possamos nos libertar. Alguns sentimentos são alívio, outros pesos, uns confortam, outros fazem doer. O que te acalma é ouvir o som das águas que trafegam pelo rio de sua caverna, afim de levar para fora tudo aquilo que te tira o sossego.

E é neste mesmo lugar que precisamos fazer suscitar a esperança de liberdade, a metamorfose pela verdade, a borboleta eterna que por nós voará para a eternidade, pelas asas da vida que nos foi dada, a qual, não podermos perde-la por nada.

 

Por Patrícia Campos

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