O ciclo do fim

Sua carne exposta, coração nu, carmesim das rosas, escorrem em seu peito cru, todos falam de suas dores, mas ninguém quer carrega-las, suas lágrimas transbordam em rancores, de mágoa em mágoa constrói histórias passadas. O tempo não cura ninguém, cura quem quer se curar, fazem o milagre de refém, mas ele não pode ajudar. Moça sem brio, onde esteve? Por onde andou? Seu peito conta os rastros de seu vazio, e sua tez conta o choro que se passou, sua voz embargada, sem força, parada, sua luta contra o nada, quem somos nesta estrada? E como a meretriz, que dantes estava só, vive assim, sem esperança, mas onde está aquele que a tiraria da lama e a conceberia em glória? A tristeza de seu conto amarga um pouco mais o fel, o salgar de sua realidade conta o porquê de tudo ser assim, um ciclo, como os porcos, que não se mantém limpos, andando em caminhos tortos, mesmo alinhando seu tino. De longe vejo seu desespero, e nada posso fazer, seu coração só se faz herdeiro, se isso quiser ser, ninguém vive livre, mesmo tendo tal árbitro, reféns de seus sonhos, afiados como flecha, cada amargura fere o solo, destrói as vilas e rasga as brechas, qual ventre sobrará para contar história? Nada e nem ninguém conhece a verdade, mesmo ela sendo tão pouco complicada, alma tola, caminha sem jornada, em sua bagagem carrega os trapos de sua vida mal contada. Por onde esteve? Perguntou o senhor, e nem mesmo ela sabia responder, embriagada com suas luxúrias, e vazia, na sala de espera do prazer, quem pode lhe defender? Nem seu juízo consegue o fazer. Só, sempre fora assim, e só, sempre será, este, infelizmente, é o ciclo do fim.

 

Por Luiza Campos

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