Pássaro de estimação

Olhos lunares que chovem estrelas, tristeza dos mares que afogam os planetas, seu vazio me fez solitário, e sua gaiola tornou-me impotente, sou asas que não alçam voo e sou rastros que nunca se deram. Inexistente para muitos, impotente para mim, minha casa é meu tormento, e o céu meu sonho vivo, ferido, pássaro ferido, machucado, ponteiros machucados, prendi-me nos ombros do meu inimigo, manifestei provisório ao meu lado, como poderia voar? Já desaprendi a bater asas, não me lembro como é ter o infinito sendo minha casa, não passando de um pássaro de estimação, que canta para alegrar os desejos da escuridão, como poderia ser assim? Por isso o universo escorre por minhas entranhas, chovendo em toda a cidade, busco o ventre da liberdade para que me gere em sua eternidade, houve um tempo em que a brisa sussurrava em meus ouvidos, e a seguia sem duvidar, tempos bons eram estes que não me importava com um novo raiar. Hoje estou aqui, conversando com um solitário, que logo, logo, encontrará barro e eu serei para sempre um pássaro raso, que assovia quando mandam e voa quando me dão corda, um pobre acorrentado nos lençóis dos prazeres. O que sou? Não sei mais, quem poderia lembrar-me? Cante para mim, oh! Céus! Fale comigo grande Rei, clamo hoje por sua nota em meu coração, seu caminho e seu destino traçados na imensidão, clamo por sua voz e que mande suas ordenanças, voarei para longe destes tempos que feriram minhas esperanças, consegue ouvir-me? Cantarolo para ti, e escrevo nas paredes de minha solidão, cansei de contar estes dias tristes dentro desta prisão, sem ti nada sou, um pássaro sem direção, migrarei para onde há leite e mel, para onde sua luz alcança, já que toda terra que irei enxergar dará a mim como sua herança.

 

Por Luiza Campos

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