Pelo engano confundiu-se

Nada fora do lugar, mas estava fora de lugar. Entre linhas perdidas entrelinhas, nada há de se guardar, tempos que se foram como os ventos os quais nem as lembranças querem mais se lembrar. Há um horizonte à frente e não se pode ficar olhando o que perdeu, dentre tantos atos inconsequentes, há oportunidade para àquele que de fato seu caminho converteu. Então, seus passos pisam o sol e seu corpo se aquece por sua luz, sua boca vira girassol, seu pólen doce feito alcaçuz. Suas vestes se tornam transparentes aquecendo os corações deste mar, as águas tão envolventes chegam ao amor abraçar. O coração que sente o pulsar da vida e anuncia a sua imensidão, aumenta o tom da pupila e amplia cada vez mais a visão. É difícil caminhar contra si mesmo, por isso é necessário se pôr ao seu próprio lado, mas quando fala alto os desejos perdem o anjo alado e fica sem lado, apenas ao lado das pedras, as quais arremessam para longe de si.

Eu compreendo a insegurança de uma alma que um dia fora habitação da luz perene, a qual propagava o amor por suas janelas. Como pôde deixar seu sangue escorrer até que ficasse sem fôlego? Como pôde se perder? A verdade cura àqueles que a consideram, que subtendem quando sua voz ecoa, mas quando a mentira em ti é quem reverbera, como pode ter águas límpidas em sua fonte? Então aquele tom do seu timbre que mesmo sem que alguém o ouvisse com clareza trazia paz, agora se pode ouvir apenas o pingar de uma voz que embarga em lágrimas, numa nota fria, tentando não se afogar. Eu compreendo a dor de quem perdeu o amor, compreendo a tentativa do seu apalpar. Mesmo que na escada da vida seus degraus sejam altos e que haja dificuldade em subir um a um, o importante é permanecer firme e não se contentar com o que andou, mas sempre seguir em frente buscando subir mais um, sem olhar para o lado muito menos para baixo porque se diz que, até das pedras, Deus suscita filhos a Abraão, mas que pelo engano confundiu-se a força de Sansão, e quando se confunde, a soberba se difunde e a alma se ilude. O sábio mantém a percepção dos anjos que Deus o envia para lhe anunciar a verdade, e quando este não se precipita encontra-se de fato com sua liberdade, porque tudo o que é vaidade aprisiona, mas àquele que mesmo em guerra luta mesmo tendo dificuldades e não joga sua toalha, um dia há de se encontrar.

Patrícia Campos

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