Permita-me

Permita-me entrar em mim, quero ver o que tenho aqui, no oculto uma casa, no toque um tamborim, que toca o som da vida. Preciso retirar de mim um coração oco, pôr no lugar um renovo, e isto não se faz com bisturi, mas com a mão invisível do senhor que habita aqui.

Permita-me sorrir em meio a tristeza, porque tive o privilégio de poder me encontrar, não vi por aqui nenhuma riqueza, senão o peregrino de um lugar longínquo que veio só para me buscar.

Permita-me conhecer-te, porque pelo que vejo tu já me conheces tão bem, estava ali sentado, aguardando o meu contato, estendeu-me feito braço para que eu não seja mais refém, refém de um tempo perdido, que deixou-me sem sentido, meu coração aflito que não ia mais além.

Permita-me agora chorar diante a alegria de te notar, meu cais a deriva neste mar e eu tão tola nunca quis me mergulhar. Eu tão sensível, fui ao topo da insensibilidade, não percebi a verdade que podia me libertar. Os tempos são de alacridade mesmo tendo tal bagagem, o caos que acorrentava-me quebrou minhas asas da liberdade, mas em tempo consegui me conhecer, e mesmo tendo tanto à rever a tempo pude me esclarecer.

Permita-me poder sair de mim, deste eu que já não quero ser, desejo novo amanhecer, uma eternidade para viver.

 

Por Patrícia Campos

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