Poderia entrar?

Se eu pudesse, por um segundo entrar, será que eu poderia ficar? Não sei por quanto tempo, nem até quando, mas estou nos lençóis escuros de tristes ventos, uivam sem destino, e não me encontram. Um forasteiro em minha terra prometida, desconhecido para minha rosa perdida, renegado de meu lar, sou vida, mas não posso vivificar. Me perdem em muitos sonhos, deixam-me escapar, um dia desses, verão a tristeza, e não conseguirão fugir, a ira dos céus cairá sobre elas, e o jugo pesado não poderá se dissipar, todos correm sem destino, e vivem sem lugar, eu quem sou o tino de todo mundo que quer se libertar, sou a luz da manhã, e a esperança daqueles que não conseguem levantar, mas como posso libertá-los se não querem se curar? Peço sua licença, para poder falar, os céus estão pesados, e um dia vão desabar, tempestuosa fúria, minha luta é por todos aqueles que não conseguem enxergar, por isso digo mais uma vez, poderia entrar? Cantam suas dores sem saber cantar, declamam amores sem saber amar, muitos clamam por meu nome sem saber quem sou. Sou a luz na escuridão, e a saída daqueles que se perderam, sou a chave da prisão, e a verdade que muitos nunca conheceram, sou muita coisa, mas todas elas trazem paz, sou um breve sopro, mas para uma eternidade quero te levar, por isso sei, que sem mim, nada pode ser, pois eu sou seu respiro, sua porta e seu amanhecer, sem mim não há dia, muito menos ação para que possa florescer. No fim será mais uma, uma alma sem mim, e no fim verá a morte e não poderá correr de suas mãos, por isso mais uma vez lhe pergunto, poderia entrar e ficar?

 

Por Luiza Campos

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