Talvez seja tarde

Meus passos sendo apagados dentro da fotografia, o olhar desfocado num infinito de agonia, então vem à lembrança, os tempos que sorrir era bom, à memória a minha criança, à pele a sensibilidade do meu tom, o tom que fenece num tempo atroz, meu campo floresce, mas o que há por detrás? Minha busca em ser, porque ter, ninguém tem, mas ser de verdade é vencer, derrubar os muros deste mundo na mente até que o ser perene venha resplandecer. Quem isto sente? Quantos sentiram e não se curvaram a tão grandiosa magnitude? De fato, não refletiram o suficiente para tomar tal atitude e transformar-se em sol, se pôr em crisol, para que o amanhã se torne eterno, e que a luminescência seja seu lustre interno, deixando tornar-se sal tudo o que é efêmero e nem fazer conta do que ficou para trás. É inadmissível ser julgado por outrem, mas dentro do campo espelho o juízo vem e este não há como tentar convencer de que nossos pés não andaram por caminhos sombrios, porque a luz sempre esteve conosco até mesmo nos lugares mais tenebrosos por onde passamos, então ficamos iguais aquelas crianças que quando fecham seus olhos pensam estar escondidos, porém, a inocência se vê em seus olhos e este detalhe não pode ficar esquecido, o qual não é o caso do espelho adormecido. Os desejos são gigantes do mal, fantasiados de alegria para ofuscar os olhos tolos, se formos vencidos por eles o desamor é fatal e só restará ser mar se perderes, sendo engolido pelas próprias ondas, cobrindo seus pés na areia, suplicando aos céus que lhe sondas para o socorrer na eira, talvez seja tarde seu alarde o qual arde, talvez seja tarde, mas quem sabe?

 

Por Patrícia Campos

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