Tragédias acumuladas

Meus pedaços vivos desbotam devagar, sendo vozes limpas e claras que vão deixando o lugar, e apenas com um único estalar das nuvens tudo desmorona sem tentar se levantar, somos todos cacos que compõem um a um, porém, não sendo um inteiro rui com qualquer toque, sendo igual, sendo comum. Cada traço se apaga nos ecos do badalar, o ponteiro clama suas areias para que sua finitude possa chegar, e cada história amontoada em um único papel, é rabiscada pela vergonha de encontrar-se no altar com o véu, e todo passo que antes era apenas um novo parágrafo, acumulou, acumulou suas tragédias na ponta do pincel. Vazia, vazia, oh! Alma despida, pesou diante o precipício e deparou-se com sua eternidade dura e fria, vazia, vazia, oh! Alma ruída, seu espelho refletiu ampulheta e seu fim foi a chegada de sua partida.
Doces pedaços trágicos, quem os pode condenar? Alimentou-se da falsa impressão de algo que veio a estragar, apodreceu seus rastros, e invalidou-se a poucos momentos, perdeu cada laço, encontrando lua em seu mar, canções tristes rodeavam o vento, e sua falta de luz própria deixou a desejar. Pouca fé e pouco juízo, deixara a criança sozinha, suas palavras vieram de súbito, e pingaram como fel por não andar na linha, triste momento de arrependimento, quem tem o poder de voltar no tempo? Nem mesmo Deus brinca com a areia, quem poderia livrar-te deste cálice depois que bebera suas vacilações? Ébria, um nome adornado para sua embriaguez, deparou-se nas trevas, que em enquanto viva buscou o tempo perfeito, mas não teve vez. Tragédias e tragédias, todo tipo engoliu sua terra, enraizou em seu solo, enganou a Eva e se apoderou de seu colo, tragédias, são miúdas durante seu efêmero, mas quando tudo cai e é perdida a guerra não há grito que chegue há tempo.

Por Luiza Campos

 

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