Ultracrepidário

Néscios mascarados, vestidos com suas arrogâncias, um conto mal traçado, uma tez sem temperança. De escuridão a escuridão, não colore o coração, quem poderia descrever a verdade se não há luz em sua confusão? As ondas se enfureceram com suas palavras, e o céu nublou diante a visão, um cego desenhou um quadro e rabiscou a verdade, desconhecida voz que não canta mais no coração, se esconde nos veios do imo, quem busca garimpa essa jornada, podendo enfim, enxergar, enxergar de fato que sem base nada se forma, sem chão nada se firma e sem a verdade nada se concretiza. Do avesso assovia o passarinho, pia baixo e soa manso, suas penas contornam o céu e prescrevem o caminho de uma reta justiça que não se encontra nos vales sem destino, minh’alma vê de longe e se admira, com a beleza de seu entoar, as nuvens acompanham sua vida e começam a pingar, já o belo oceano encanta-se com a harmonia, bailando nas veias que estão fervorosamente a pulsar, e me pergunto: como alguém pode querer mascarar? Vivo, viva vida que vive fugaz, viva eternamente, acolhe a mente e planta paz, como alguém quer cala-la? Tanta voz para aquieta-la, terna, serena, singela, poema, e os versos vazios afogam a alegria do oceano, e prendem o livre passarinho na gaiola, estrofes sem firmamento, quadro sem cor, uma rosa perdida no tempo e um luto que amargura peito cheio de dor. Descrevo com palavra desconhecida, mas que amamenta estes deleites, ultracrepidários são suas hermenêuticas vivas, que descrevem suas falsas formas de prazeres. Quem poderia adornar a pobreza do Homem? Não há formas para escondê-la, já que seus bolsos transbordam de ouro, mas seu peito não há sequer um único tesouro, e assim, termino essa história, que até agora não teve fim, sendo eterna e fadada a tristeza sua trágica e solitária trajetória.

 

Por Luiza Campos

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