Tempo de curar

Por muito tempo carregou as próprias feridas no peito, mas não queria expô-las a ninguém, queria silenciar a dor, mas dela se fez refém. Um dano que ao longo do tempo foi crescendo e esta chaga parecia ser mortal, mas algo mexia com seu psicológico e em um instante você teve uma força colossal, seu estado foi mudando, suas feridas aos poucos foram curando, porque a compreensão bateu em sua casa, e para ela você abriu as portas.

O tempo não cura suas feridas, não regenera aquilo que você mesma causou, mas você tem tempo suficiente para reverter o que tanto lhe machucou. O tempo vai te refazendo aos poucos, a cada dia preenchendo as lacunas que ficaram abertas, as cicatrizes ainda são as marcas das suas lutas que você carrega como o peso de cada gota de suor. A cura não é repentina, mas é gradual, pois com o tempo tomando doses de entendimento seu interno vai se curando de todas as feridas que foram cauterizando sua consciência ao longo desta vida. É necessário enfrentar a si mesmo para poder conhecer as profundezas das dores que estão adormecidas dentro do seu próprio coração, a qual fica alojada sem ser mexida. É aí que mora o perigo, pois é justamente nessas feridas que devemos mexer e tira-las de nosso interno para haver a cura, a transformação causa aflições, mas também renova trazendo satisfação de um caminhar leve, sem pesar, sem dores. É tempo de curar o intervalo silencioso entre a dor e a esperança que se mantém acesa e que não se apaga, porque a dor ensina que o melhor remédio é compreender para poder cicatrizar, pois o processo não necessita de pressa, mas de constância, pois cada dia se transforma o coração, até que o que te machucou vire apenas memórias de lutas travadas e não de uma prisão.

 

Por Ítalo Reis

Tema Paty

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