Metamorfoseando em silêncio, sem fazer barulho do lado externo, estou ouvindo somente as batidas do meu coração que vem no compasso ritmizado para que eu tenha a exata compreensão. Não carrego em meu ombros mais o peso, deixei-o para trás, agora levo comigo a coragem e a destreza de me transformar em um novo lar, uma casa não mais terrestre, mas em uma casa verdadeira de habitação, onde Deus reinará para sempre, onde ele terá primazia para ser meu eterno quinhão. Onde havia sombra brotou uma nova aurora no meu peito cansado, um novo sol se colocou, onde antes o tempo me encurralava, e neste muro lamentava, virou o caminho de amor, onde a dor imperava eu aprendi a compreender sem ter temor. As feridas viraram janelas por onde a luz decidiu adentrar, o que era queda de um penhasco alto ganhou asas para eu voar, e enfim aprendi o que era me libertar. Tudo mudou sem ruído, feito rio descendo em águas tranquilas, pois o que me fez se refez em silêncio sem trazer nenhuma quinquilharia. Transformar-se é mudar de ser, deixar para trás tudo aquilo que imperava, é mudar todos os conceitos, todos os trejeitos, pois a liberdade é uma palavra forte que seu sinônimo cumprido é de um grande feito, mas se não for não terá nenhum efeito prático. Por isso me propus a calar as vozes externas e silenciar os ruídos desse mundo, aprendi estar contente com a solitude porque ela sempre foi minha companheira pela passagem por este mundo, aprendi que metamorsear é muito além de sair da casca e voar, é muito além de desejar, por isso concretizar sem falar é o melhor a ser feito para que a transformação seja completa por inteira.
Por Ítalo Reis
Tema sugerido por Régis



