Os ponteiros não param

O tempo corre depressa e sua ampulheta cai sem parar, muitos ficaram parados neste curto tempo de espaço e com suas lembranças vazias mostram sua antiga ferida. O tempo é fugaz, então por que ficar se preocupando com ele? Faça sua parte com Deus, esteja tudo em conformidade, que logo você esquecerá este tempo, e sua cabeça estará no eterno e não mais no efêmero, você não tem mais o que perder, mas se continuar assim vai perder o que tem de mais precioso, a vida, e verá quanto custa uma saudade, e não haverá reversão pelo dano que cometeu a si mesma. É daqui para frente, não fique onde você parou, a vida passa e vai embora, não traga contigo a dor.

Os ponteiros te colocam medo que você mesma alimentou, criou em seus pensamentos e aquilo te aprisionou, mas qual a razão para o temer, se no espírito não se conta o tempo? Ele é eterno e subsiste em todo o tempo. Coloque isto em sua cabeça para não se prender ainda mais, pois sua sentença logo vem e dela não tem como escapar, não seja refém dos seus próprios pensamentos que violam sua integridade, siga firme com sua força que está no seu coração, ela é a única verdade. Os ponteiros não param mesmo quando o peito pede pausa, eles seguem afiados, pois é invisível e os olhos não veem.

O tempo não pergunta se dói ou se sangra seus ferimentos ou se você está pronta ou se entendeu a lição que ele te deu, ele apenas passa, como rio que deságua suas águas no mar e não retorna a sua nascente. Há algo intrigante que os ponteiros não medem o instante em que a alma desperta e acorda do seu sono profundo, a esperança bate à porta e se mostra, mas o eterno permanece escondido dentro de cada um, por não reconhecerem sua magnitude. Os ponteiros sempre correm sem parar, enquanto isso acontece devemos aprender a viver no que não passa, o qual é eterno e está guardado em cada relicário.

 

Por Ítalo Reis

Tema Rozivane