Caminhando em terra seca, miragens me rodeavam, trazendo uma ilusão que acalmava. Árvores protegendo água limpa; um oásis era visto de longe e me alegrava a cada passo dado em sua direção. Mas quanto mais perto eu chegava, mais longe ele estava. Fiz desse sonho um propósito. Sonhei em nadar e me esbanjar nas águas refrescantes. Passei dias e dias caminhando em busca de me refrescar. O sol acabava com este corpo frágil, a fome tomou conta, a sede gritou em minha garganta. Senti estar perto do adeus, mas também percebi estar longe de Deus. Fiz de meu sonho um propósito que era somente para mim, um desejo que revelava a quem eu servia. Um desejo pela carne me consumia, mas ao meu Criador nada fazia. Quando parei de seguir aquilo que tanto sonhava alcançar, percebi que não precisava dessa água para me refrescar, pois algo me mostrou que ela não iria me sustentar. Analisei ao meu redor e percebi estar sendo enganado, não por alguém, mas por mim mesmo. Eu me sabotava e me torturava. Clamei ao céu por alívio e senti, logo em seguida, um vento nunca antes sentido. A areia se levantou, um tornado se ergueu, e a clareza foi trazida à tona. Não precisava de um oásis, e sim do Senhor. Logo veio uma chuva que me banhou, algo tão maravilhoso pude sentir, e não era no exterior, mas no interior, como se algo estivesse sendo preenchido. Quando abri os olhos, o oásis que sempre busquei estava muito mais longe. O vento me afastou, então entendi quem estava falando comigo. Dei a volta e caminhei contra aquilo que sonhei, ao Senhor caminhei. Não sabia o caminho, mas sabia a quem queria seguir, e os ventos me alinharam à verdade. Andei pelo deserto, mas foi um caminho de glória. Mesmo em meio à areia, nuvens me seguiam, fazendo sombra sobre mim. Quando sentia fome, era alimentado pelo céu; e quando sentia sede as palavras do Senhor me saciavam. Não precisava de um sonho para viver, mas do verdadeiro Senhor para existir. No caminho houve metamorfose, quem eu era nunca me reconheceria hoje. E pude ver que tinha sede, mas sede de Ti, meu Senhor. Continuarei caminhando para onde Tu me levares, desviando das pedras de tropeço e ignorando as ilusões que me rodeiam. Sei que minha função se cumprirá.

Por Luiz Gustavo

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