Abrir-se para vida

Quando a consciência se volta para dentro e trilha por sua própria memória da vida, ela começa se reconhecer, encontra tantas coisas dentro de si, tantos sentimentos silenciados, amordaçados, ela para e pensa: quero me livrar desse fardo que não me pertence, começando enxergar tudo que foi atraso de vida, inclusive seu próprio egoísmo exacerbado, quantos sentimentos mesquinhos, e o quanto ainda está perdida dentro de si mesma, em sua escuridão interna, seus vazios, pois as almas criam lacunas e a culpa não é de outrem e sim da própria consciência que não se ligou na eterna existência, mas ficou agarrada ao pó da carne, que é efêmera e não passa de uma ilusão, ela apenas teve seu papel como criação, mas não seguirá para eternidade, então não se trata de uma união sólida, pois a consciência é eterna e a carne é passageira e disso se explica tantas doenças da alma e tamanha frustração, são crises de medo, pânico, ansiedade, que chega faltar o ar e acelerar o coração. A vida está ali, dentro de cada um esperando a porta se abrir e a consciência deixá-lo dominar e conduzir sua trajetória, mas quem te governa? Ninguém ao menos a reconhece, não sabe que a vida provém do espírito de Deus e este sim, é o único que completa, que preenche, é a força, o oxigênio da alma e quando estamos ligados nele, a sensação é de aconchego e tranquilidade, como estar em casa, não do lado externo, mas no interno, lá onde tudo acontece, com momentos de guerra e paz, mas junto ao senhor, a alma se compraz, pois a consciência se faz morada e sábia se tornará edificando e construindo a casa da vida, então deixe que naturalmente a vida conta sua história, deixe Deus ser a luz da madrugada até que se finde essa rápida jornada.

Por Michele