Não adianta silenciar aquilo que está preso na alma de uma forma que por muitas vezes nem nós mesmos queremos que aquilo esteja ali, é como tapar o sol com a peneira, andar na beira, do abismo sem nenhuma esperança de luz. Criamos sentimentos, sim, nós os criamos, e depois nos enlaçamos a eles de uma forma errada, chega a ser cruel com a gente mesmo, porque nos envolvemos de tal forma que depois não conseguimos nos desvencilhar. Muitos deles não nos fazem bem, e mesmo os que nos fazem bem aparentemente, talvez estes sejam os piores, porque não fazemos questão de nos desligarmos deles, e isso causa um problema na alma, porque são sentimentos que um dia não terão a mínima possibilidade de continuar existindo. São sentimentos por coisas fugazes, que não duram, que possuem um fim. Tudo deste mundo um dia ficará para trás como um sonho esquecido e não podemos criar raízes nem sentimentos num lugar que nunca será nosso. Aqui tudo é passageiro e fenece, é como fumaça ao vento. Não podemos simplesmente silenciar estes sentimentos, temos que colocá-los para fora, e não como que gritando aos quatro cantos, mas sim eliminando-os de dentro de nós antes que eles nos eliminem diante da vida. Há um propósito direcionado a nós, e este propósito consiste em a nossa consciência se desvincular de tudo o que é deste mundo antes do nosso último dia. Se conseguirmos fazer isto e nos agarrarmos à vida que nos habita, seremos por ela eternos, caso contrário ficaremos com nossos sentimentos presos em nós mesmos sem termos o que fazer, porque aquele que se agarra ao pó nem mesmo o pó será, mas sim um estado vazio cheio de sentimentos que trarão a alma a culpa de tê-los armazenados por tão pouco tempo, mas que nos levou a ruína eterna por não os ter deixado.
Patrícia Campos 🌺
Tema Ítalo


