Não que os ponteiros tenham parado, mas foram os pés que não conseguiram ultrapassar a pedra, a pedra do sapato, que gruda na alma feito cola. São os gigantes que te assombram, que te seguram, não deixando você sair do lugar, um peso nos pés, são os grilhões no encalce, a poeira que pesa toneladas, algo que não deixa rodar, emperra a engrenagem da vida. Tudo isto se encontra dentro e não do lado de fora, porém buscamos lá fora e colocamos dentro de nós, são sentimentos fugazes que se acabam e que nos acabam, que se perdem e que faz nos perdermos, ficamos distantes de nós, buscando nos encontrar em algo ou alguém, e nunca nos encontramos porque nos buscamos onde não estamos, onde não somos. Um atraso de vida, daqui a pouco são dois, três, depois se perde a conta, mas a conta chega e seus dígitos não tem fim, porque se trata de uma eternidade e um vazio, onde não há som nem vozes, onde o maior desejo é silenciar o silêncio porque ele vai zunir na alma e não se encontrará nada neste lugar senão a dor de ter a consciência do que te atrasou e não lhe deixou ir com o trem da vida, o qual passou, acenou para que você o adentrasse, o aguardou e partiu sem ti, deixando-o partido numa estação vazia a qual não sintoniza nunca mais com a vida, e assim será por toda eternidade, um atraso que não lhe trouxera a verdade deixando-lhe só na saudade de encontrar sua liberdade.
Patrícia Campos
Tema Rejão


