Palavras sem poder

Sonhos descritos em palavras frias, apenas desejo e uma emoção de alcançá-lo, mas, no fim, tudo acaba. O calor e a sensação de viver, um pico de êxtase que se acaba rapidamente, e, como uma droga, logo se deseja mais para preencher o vazio. Diz trabalhar duro para conquistar seu carro e cumprir com sua palavra. Sonhos são conquistados, mas nada o preenche. Todos querem ter mais, mas quanto mais tem, menos se sente preenchido. A matéria não o tocava, e tudo perdeu o valor. Tudo que saía de sua boca era da carne, e tudo era realizado. Será mesmo uma palavra com poder? Conquistou o que todos buscam: carro, casa, moto, terra e muito dinheiro, mas nada estava bom. De que adianta estar cheio do mundo e vazio da vida? Este é um grande poder que se enfraquece com o tempo. Mas qual palavra teria poder maior do que a conquista de tudo que saía da sua boca? Tem que ser algo muito mais valioso que a matéria, mais valioso que o tempo, algo intocável. E, de tanto desejar encontrar este ouro, enxergou que o que procurava era a vida, pois ela é atemporal, de uma certa forma intocável e muito mais valiosa que toda a existência material. E sua palavra, que antes tinha poder, não surtiu efeito diante do desejo da vida. Com tudo que conquistou, construiu tudo que pensou ser necessário para conseguir a vida, laboratório com tudo que era necessário, estudos sem fim, dias e noites de trabalho, busca em livros, em animais, no presente e até no futuro, mas não atingia nenhum resultado. Tamanha riqueza e grande poder diante suas palavras não teve resultado algum. O tempo não parou, e o seu chegou, trevas o dominou, e, diante o infinito, sobrou apenas raciocinar diante seus atos de dor. Onde errei? Pois tudo que podia fiz para encontrar a vida. Questionava a escuridão, onde estava a luz, e em si mesmo começou a ecoar lembranças de seu passado. Lembrou que buscava algo além da matéria, além do tempo e intocável, mas dedicou seu resto de tempo buscando a vida através da matéria e busca de um tempo, querendo apalpar. Descobriu o começo do caminho da vida, mas se perdeu por apenas enxergar a matéria. E, depois de eternidades passarem, entendeu que a vida estava dentro de si para ser apreciada. Soube que deveria ter purificado sua consciência para a habitação do Espírito. Tudo fora do visível, do trocável, apenas pela ação da consciência. Mas precisou sofrer por várias eternidades para descobrir o caminho de Deus e saber o que lhe fez afundar nas trevas da eternidade vazia.

Por Luiz Gustavo

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