Estação solidão

Os pés ficaram parados na estação mais próxima, e não deu prosseguimento para a estação final, pois não enxergava como sair daquele espaço a qual por muito tempo ficou presa, acomodada. A solidão batia forte, pois você precisava de alguém para conversar, mas deixava de lado a vida, mesmo sabendo que ela estava tão perto, ao seu lado. Seus olhos marejados carregam a dor e nos seus ombros traz o peso é como se fosse uma sentença que você cumpre desde muito cedo. Por que você não aprendeu a ser feliz com a solitude e não se contentou com sua própria companhia? Pois a vida sempre sussurrou suas palavras doces em seus ouvidos, mas você por insensibilidade não as sentia e nem ouvia. Há um lugar onde o tempo para e os trens passam com seus vagões vazios na estação, mas ninguém chega aos seus respectivos destinos, porque se perderam antes mesmo de chegar. Os bancos frios conhecem cada nome que por ali passaram, e o relógio anda devagar em alguns momentos, como se tivesse trazendo as lembranças da solidão. Na estação solidão aprendi que o silêncio fala mesmo sem voz, e que a ausência também ocupa espaço mesmo em lembranças vazias, porque às vezes o maior ato de coragem é seguir esperando por cada amanhecer do dia. A razão para a solidão é tudo aquilo que sua alma aceitou e carregou por colocar falsas expectativas e esperanças em coisas vazias. Eu aprendi que a solidão não é falta de pessoas ao seu lado, mas é um excesso de pensamentos desordenados que te afastam da vida. E mesmo sem companhia por fora, continuo inteiro aqui dentro, não esperando por alguém, mas sim por mim mesmo.

 

Por Ítalo Reis

Tema sugerido por Michele