Estação Solidão

Ali parou e ficou,

Sentada nos próprios pensamentos.

Com a solidão deparou-se,

Enterrando seus sentimentos.

Deixou que o trem da vida se fosse

E em sua estação se manteve só.

Tantas lembranças a vida lhe trouxe,

Mas todas eram de dar dó.

Ficara quieta, tentando silenciar

Vozes que eram falas incertas;

Algozes a lhe condenar,

Com as portas da vida deserta.

Na “Estação Solidão” ouvia sua música,

Um refrão que a incentivava à fuga.

Não via o braço solidário em si,

Que a estendia a mão para sair dali.

Precisaria a vida sincronizar,

Equalizar e renovar a melodia.

Talvez fosse a hora de parar de chiar

Para encontrar uma nova alegria.

Amar a solitude é uma virtude,

Mas na solidão só há desilusão.

Nela não se encontra atitude,

Apenas a tristeza no coração.

Mas aquele que de si não desiste,

Uma hora há de enfim enxergar:

Não há solidão que resista

À alma que busca se encontrar.

Não deixa a alma sozinha,

Pois sabe que tem ao Senhor.

A alma que com Ele se alinha

Jamais deixará o amor.

A vida é a simetria que completa,

A paz que traz o preenchimento.

É a verdade que a alma desperta

E apaga todo o sofrimento.

 

Patrícia Campos

Tema: Michele