As lembranças dos tempos passados fizeram seu coração ficar parado lá,
Aguardando o trem da vida passar.
Ela ficou no banco esperando algo acontecer,
E as lembranças vinham a todo momento te visitar,
Ela não sabia como sair daquele ciclo,
Porque ficou presa nos feitos do passado.
Seus pés tropeçaram na vida, e eles estagnaram de vez,
O peso é uma consequência que corrói por dentro,
Trazendo a condenação.
Mas como ser livre?
Te impossibilitou de voar,
Quebrou as próprias asas, e não sabe como consertar.
A sua sina é interminável,
As vozes por todos os lados te condenando,
E você não as silenciou, mas só vive em dor e prantos.
Quanta tristeza seu olhar revela,
Quantas marcas carregou,
As lembranças fazem doer o peito,
E junto traz o calafrio de pensar “olha como estou”.
É triste quando se para em um estágio, e dali não prossegue adiante,
Ficou manchada pelas marcas do erro,
E como resolver tudo em um só instante?
A vida não tem margem para erros agravantes
Que mancham a sua dignidade,
Talvez as lembranças possam te confortar,
Mas o peso é que assola de verdade.
Ser prisioneiro de recordação não te levará para frente,
Porque seus pés não seguiram adiante,
E seus olhos não enxergaram o horizonte que estava bem a sua frente.
A alma ficou presa onde o tempo não passa,
Num ontem que insiste em permanecer,
As lembranças fecharam as portas,
E dos tempos passados fez a sua mente ficar refém.
Você carregou no rosto marcas, vozes, promessas,
Feitas por si mesma que você não conseguiu cumprir
E muito menos se desvencilhar.
Você achou que era livre por fora,
Mas por dentro era prisioneira da própria recordação,
Pois cada memória é uma cela aberta,
Onde você entrou sem perceber sua ação.
E mesmo querendo ir embora as recordações,
É no passado que sua alma escolhe se prender,
Pois você não soube enxergar a liberdade
Que já se encontrava em seu próprio peito.
Por Ítalo Reis
Tema Michele


