Sou campo vasto, fértil e eterno,
Não me limito ao pó que me vestiu
Por este tempo efêmero; sou mais que isto.
Sou parte do paraíso, não sou tempo perdido,
Ainda que eu tenha me perdido no tempo
E perdido tempo em não me buscar antes.
Mas nem tudo está perdido;
Houve este encontro comigo,
Enxerguei todo o sentido e me propus
A me revestir do que me aguarda no infinito:
Uma veste fina, que tecelão algum consegue
Reproduzir, senão o Senhor da Vida.
Meu campo é gramado, e o verde traz
A esperança do meu renovo;
Mostra-me que há um tempo novo,
Onde tudo será definitivamente diferente,
Sem estas vãs lentes que nos intimidam,
Tentando tomar de nós quem realmente somos.
Sou campo de batalha, onde busco
Eliminar minhas falhas e não aceito migalhas.
Onde há semente rara para mudar a trajetória,
Na intenção da vitória de vencer este mundo;
Onde se ouve o latido do cão incontido,
Que atira sem destino, ferindo o próprio peito aflito.
Sou campo da vida, labirinto que acha a saída.
Me lanço à morte para ganhar a vida
Que um dia me foi oferecida.
Plantar-me-ei como semente eterna,
Onde a vida reverbera e a primavera não finda;
Terei cautela para que ela brote em meu coração.
Que ela floresça a ponto de eu não esquecer
Que estou aqui por ela, e ela por mim.
Pois só assim,
Não haverá fim
Para mim.
Patrícia Campos
Tema Michele


