Perdido entre atalhos

Entre caminhos percorridos foi querer pegar um atalho para se sobressair e chegar ao seu objetivo, mas não contava que no meio dele haveria muitos espinhos, e muitos percalços para ultrapassar. Você queria aplausos vazios, risadas forçadas, abraço frio, por chegar ao seu objetivo traçado. Mas isto nunca ocorreu, e seus pés ficaram parados no meio desta estrada, sem saber qual rumo seguir, porque se perdeu, pois a rota já não condizia, e sua bússola já não apontava a direção correta. No entanto, o seu único contentamento foi se lamentar, chorar por entre os cantos, gritar por socorro para ver se alguma voz do além te ouviria. Mas quem poderia te ajudar se você se propôs a se perder de si mesmo? O arrependimento bateu forte, e pensou em retroceder para ver se conseguiria retornar para o caminho que estava a trilhar, mas não se lembrava mais da jornada, e aquilo deixava mais angustiado e aflito, porque sabia que não podia dar passos para trás, porque o caminho é para frente, e nele devemos ser atuantes e constantemente presente. As marcas desse caminho deixaram um grande aprendizado, pois devemos ouvir a vida, e não buscar por novos atalhos, pois ela sabe como nos orientar por este longo percurso, pois é nossa primeira vez nessa jornada, não podemos achar que sabemos tudo, pois somos aprendizes e devemos nos propor a aprender, a absorver em silêncio para colocar todo este grande poder em prática. No começo desta trajetória, tudo parecia simples , calmo, muito sereno, cada passo dava a sensação de estar ganhando tempo, de estar à frente. Mas aos poucos, o caminho foi ficando estranho, desconhecido, silencioso demais, e já não sabia quem o orientava. Já não havia sinais dos céus, e nem certezas, daí a dúvida gerou inquietação, pois percebeu que seus passos estava em outra direção, o qual te levava para o próprio abismo que criou.

 

Por Ítalo Reis