A vida neste mundo passa tão rápido que nem percebemos. Entram as estações e nem damos conta de que tudo corre depressa. As flores murcham e revigoram, mas perdem suas pétalas, seus espinhos e morrem no decorrer das noites. Não se pode pernoitar nas sombras do deserto, andar descalço na areia, cochilar em uma terra que tão pouco desbravou, que não conhece os perigos dos próprios pensamentos. Não se pode desviar do sol do meio-dia; é nessa hora que nossos pés precisam caminhar racionalmente para no destino chegar. Temos que ter cuidado nas aventuras da mente; não se pode bobear, andar em corda bamba e coração embriagado, pois o embriagado enxerga dois caminhos e, no escuro dos olhos, segue o vulto que soprou no ouvido surdo. Temos que dar vida aos pensamentos bons, raciocinar para tirar o que serve e jogar fora o que não presta, juntar peças e ligar umas nas outras para ver se o quadro sai perfeito, pois se sair controvérsias, algo está errado, e pensar bem é primordial para nada ficar distorcido, pois uma mente enganada é pior que um passarinho preso em uma gaiola, pois a consciência se prende mesmo com asas para voar e o passarinho é preso para, preso, só encantar. O coração não pode ser acorrentado tendo a VIDA na palma da mão; não pode calar a voz da razão. Precisamos deixar nossas asas crescerem, com o Senhor as moldando do jeito certo, do jeito livre, do jeito da verdade, da sabedoria e do amor, pois pensar e fazer do nosso jeito é como costurar o vento, e o vento forte devasta a casa e a engole como um redemoinho em fúria.
Por Maria Lucia
Tema sugerido por Patrícia



