Lembranças vazias

As lembranças sempre batem em sua porta e se fazem presentes em toda ocasião, é como um click e logo se apresenta e volta lá atrás onde o tempo deixou somente as lembranças vazias. Um peito vazio amargurado atrás das respostas que já se encontram dentro de si mesmo, mas não soube enxergar por estar perdido tentando achar no meio dos escombros. Seu olhar tenta vislumbrar um novo amanhecer, mas seus pés insistem em ficar parados fixados no infinito, se perguntando o que tanto perdeu. Será que se descobriu de verdade ou ainda procura a sua verdadeira face? A identidade já não é a mesma, porque não se identificou com o novo, pois criou um rótulo velho, e seu roteiro permaneceu o mesmo. As mesmas histórias, as mesmas ladainhas, progresso, ah! É só uma palavra bem dita, que no seu vocabulário se encaixa, mas na sua vivência não se aplica! Porque as lágrimas escorrem por entre seu rosto, e já não sabe mais como conter a dor de carregar lembranças dos tempos tenros das sua jovialidade. É triste quando se para e não consegue prosseguir, ficou esperando no banco da estação, e o trem da vida passou e você nem pôde perceber, porque o vazio não grita com voz, mas se torna ensurdecedor, não sangra, mas permanece a ferida aberta, pois o vazio é silencioso. E é nesse silêncio que percebo o quanto me prendi, e me perdi em versões que não eram minhas. E agora o que restou sou eu aqui parado andando entre lembranças vazias que não cabem mais dentro da minha bagagem.

 

Por Ítalo Reis