A voz que não ouvi

Eu me avisei, mas não me ouvi, não me precavi, pois o silêncio falou comigo, e ainda assim insisti em ouvir apenas o que eu queria. O meu contentamento é o que me aborrece por dentro, é o que faz eu retardar a caminhada e me isolar dentro de mim mesmo. O erro cometido pesa, mas permanecer nele é o que paralisa, pois ficar estagnado naquilo que te faz mal não tem razão. Então, por que insistir, se é possível mudar? Por que não ouvir a voz da razão, ao invés de silenciá-la e seguir na contramão?

O mundo tenta abafar a verdade para que nossos ouvidos não se atentem mais a ela. Por isso, devemos nos manter sóbrios diante das circunstâncias, e com os olhos abertos, para que possamos ponderar melhor nossas escolhas. Porque o invisível está diante dos nossos olhos e ainda assim se mostra claramente. Porque as forças atuam, e quem não percebe é levado pela correnteza, porque o engano é sorrateiro e age justamente naquilo que mais desejamos no momento. Pois a cobiça cega os olhos, como se estivéssemos vendados sendo guiados pela ilusão. E assim seguimos em uma busca vazia, correndo atrás de incertezas que nada preenchem.

Os ponteiros correm depressa, e ninguém consegue corrigir seus hábitos de criar problemas para si mesmo. Vivem sempre em busca de conquistas e projetos, mas a vida passa despercebida no seu cotidiano. Em seu vocabulário, a vida passa de largo e seus pés correm para longe dela. A única lembrança que tem é quando tudo dá errado. Quando o “circo pega fogo”, então se lembram de Deus ao seu lado. Mas isso nada mais é do que um descarrego de consciência. Pois dizem confiar no Senhor, mas, na verdade, o tratam como um ajudador barato, alguém com quem querem barganhar para se livrarem das consequências dos seus atos, mas diante disso todos terão suas sentenças decretada.

 

Por Ítalo Reis