Algo o incomodava a cada passo, mas não sabia o que era. Sentia culpa e ansiedade por querer entender, mas nunca percebeu qual era seu peso, nem como eliminá-lo ou identificá-lo. Pois há muito tempo a vida o chamava, mas por muito tempo ele a ignorou. Deixou de lado e apenas aproveitou. Correu e não parou. Dizia que aproveitou, que cada momento foi único e especial, mas nada teria valor, pois em nada acrescentaria na próxima etapa da vida. Pensou ter vivido, mas apenas se saciou de suas vontades. Lutou, mas não ao lado da vida. Lutou carne contra carne, desejos contra desejos, pessoas contra pessoas. Perdeu muitas de suas lutas, mas também derramou muito sangue. Dizia ser feliz, mas nunca conheceu realmente o que era a felicidade.
Sorria por ter coisas que todos diziam querer, mas nada o preenchia. E agora, no leito de sua morte, sem energia sequer para se perder, parou por um breve momento e enxergou que iria morrer. Tudo o que conquistou, tudo o que construiu e tudo o que guardou já não importava, pois nada mais tinha valor. Em seu momento de dor, recordou-se dos momentos em que a vida gritava dentro dele. O chamava, o desejava, mas as vozes do mundo o dominavam, e ele nunca escutou a vida. Lembrou-se de ser chamado pelo nome e até de se assustar, mas, quando começava a se questionar, a carne voltava para distraí-lo. “Quanta tolice”, pensou. “Perdi o que mais importava. Deixei de seguir o Senhor para servir a mim mesmo.” Nesse momento, conheceu a verdadeira tristeza — não como as que já sentira por frustração ao não conquistar algo, mas uma tristeza de entendimento, por perceber que havia se perdido em tudo o que viveu. O grito da vida foi forte, mas sua consciência não lhe deu ouvidos. E hoje, no vazio, a consciência grita, buscando redenção… mas se encontra sozinha, na eternidade, em total escuridão.
Por Luiz Gustavo


