A minha alma vaga pela imensidão do tempo, chego a cruzar a linha dos planos, ando para frente e ando para trás e estou em todos os lugares ao mesmo tempo. Sinto a pele pelos ventos, o calor pelo sol, cada estrela tem o meu nome e o meu sopro gera energia, a vida paira no ar e não se mistura com o tempo. O eterno alçou a sua voz e sussurrou aos meus ouvidos, os meus tímpanos ouviram o meu nome gritar, eu me levantei, o meu nome foi ouvido até nos finais dos tempos!
Alguém me acordou do meu sono profundo e me disse: Levanta porque chegou a hora. E eu me levantei e me vesti do seu manto, a minha alma se arrepiou toda. Eu me vesti como se fosse para guerra, da minha língua saía labaredas de fogo, os meus olhos foram abertos e eu vi as profundezas do abismo!
Eu me revesti de imortalidade e bebi um cálice de puro sangue, as minhas artérias se encheram de furor e os meus pés se firmaram no céu. As cornetas soaram, era o primeiro aviso de alerta, um exército se levantou atrás de mim, uma voz me dizia: você não está sozinho!
Somos invisíveis aos olhos humanos, e a nossa luta se trava no ar, no campo das ideias, os tolos são os primeiros a morrerem, depois vem os sábios aos seus próprios olhos, por fim, só restarão as cinzas debaixo dos nossos pés, foi feita a justiça do Altíssimo tudo no seu tempo determinado!
A Terra já está alvoroçada, todos correndo sem direção, todos estão em busca do nada, só esperando a foice ceifar, não sobrará pedra sobre pedra!
Eu já vejo cabeças rolando para o abismo, consciências clamando por misericórdia, e até as crianças batendo no peito gritando por socorro. Não há mais nada a fazer, só arrumar as malas e se preparar para o funeral, ainda estou vendo os últimos dias na Terra!
Por O teu espírito diz


