A ampulheta cai sem parar, e a corrida continua constante. Ninguém consegue enxergar os detalhes da vida por se verem tão distantes. Está tudo tão fora da realidade que os sonhos se tornaram incontáveis; o cifrão se instalou como um vírus, e o que prevalece é a ambição e a cobiça. Não existe mais a simplicidade, a pureza já não se encontra no olhar, ninguém mais estende as mãos porque o interesse particular vem em primeiro lugar. A corrida dos ratos continua, correndo em ciclos e sem sair do lugar, enquanto a vida fica jogada em um canto, quieta, sem consciência para conversar. E como mudar essa sina? Como tirar a alma do cárcere que ela mesma criou, se foi ela quem fechou a porta e criou laços com a dor? Os pensamentos já não se ordenam mais, e a culpa cai sobre seus ombros. O peso das consequências machucam, e sua consciência sofre todos os danos. Aquilo que plantou lá atrás foi sufocado pelas sarças e pelos espinheiros, pois, à medida que caminhou de forma errante, cooperou para o próprio sofrimento. Hoje, o tempo parece não estar a favor, porque corre depressa. Aquilo que você deixou passar foi como o vento pela janela, e o que lhe resta? A não ser lamentar? A vida um dia esteve em suas mãos, mas foi embora sem se despedir, e sua alma ficou sozinha na solidão. Seus olhos marejados hoje choram sua tristeza, seu semblante vive caído, jogado pelos cantos, sem saber qual rumo tomar para encontrar o destino. A desconfiança bate em silêncio, e você sente medo desta vida. Não consegue enfrentá-la de frente e vive com temor no seu dia a dia, porque largou as mãos do Autor da Vida e foi se aventurar. Então, viu-se sozinho nessa estrada e, por isso, vive a chorar.
Por Ítalo Reis


