A paz habita no sábio

Há um lugar alcançável que todos podem tocar. Este lugar é um estado ao qual se chega quando você se encontra; pois aquele que se situa consegue ter a sensibilidade e a percepção de saber a que veio, ajusta-se no que lhe foi confiado e realiza o que lhe cabe.

A paz habita no sábio, naquele que não procura justificativas, que caminha em retidão dentro da sua razão, que não faz objeções nem busca explicações quando falha por faltar-lhe atenção. Antes, realiza-se na prática da compreensão, de colocar-se em seu lugar e de entender o porquê de sua existência.

Somos campos de manifestações e estamos onde nos colocamos. Espelhamos o estado que desejamos ou aquilo que sentimos e acolhemos. Somos o solo onde plantamos tudo o que podemos e, pelas sementes que em nós cultivamos, crescemos e nos fortalecemos.

Diz-se que colhemos o que plantamos: aquele que em si planta paz, colhe paz; aquele que em si planta sabedoria, colhe sabedoria. Cultivamos em nosso interior o sentimento que desejamos colher e, quando plantamos desamor, é porque ainda não nos amamos.

A sabedoria nos ensina a plantar o discernimento. Por meio dela, tornamo-nos sóbrios, abraçamos a verdade e umedecemos nossa terra com a água da justiça — a mesma água que matará a nossa sede de saber e alimentará a fome da nossa alma, tornando-nos simples de coração, mas repletos da paz de Deus.

A paz habita no sábio, naquele que busca contemplá-la com admiração, pois não há sentimento mais prazeroso que este: sentir-se repousando na palma da mão de Deus.

 

Patrícia Campos

Tema: Arthur