A minha língua estava seca, meus olhos esbugalhados, meus pés doendo e meu corpo cansado. Minha mente era um turbilhão de pensamentos e, eu na tentativa de colocá-los em ordem, pedi um alento ao Deus do céu para que Ele pudesse molhar a minha língua e eu manter a prudência e calma. De imediato, Sua água caiu sobre minha boca e banhou o meu coração. Em minhas andanças por este deserto, senti o toque de Suas mãos. Meus olhos marejados não resistiram e, mesmo em meio à multidão, todos me olhavam sem entender qual era a razão. Mas eu, em silêncio, pude perceber que a vida sempre me mostrou que Deus esteve comigo em todos os momentos, revelando o verdadeiro significado e o valor da Sua existência. Às vezes, na correria, não percebemos o quanto a vida tem a nos ensinar. Mesmo com o meu jeito, ela toca o meu lar. Sua simplicidade me visita para que eu não perca a essência que está guardada em meu peito. Mesmo quando as miragens do deserto querem ofuscar a minha visão, eu vejo o quanto Deus me moldou com Suas próprias mãos. Nunca me senti sozinho. Nunca permiti que ferissem o meu coração. Nunca deixei que palavras me afastassem do propósito. Eu conheço a mim mesmo e sei o que decidi buscar para manter minha consciência em paz. Por isso, empenho-me todos os dias pela salvação da minha alma. Eu sei o quanto ainda falta caminhar, o quanto ainda falta compreender e o quanto ainda preciso me desprender de tantas coisas. Mas continuo caminhando, mesmo que, por vezes, seja rastejando. As minhas forças jamais se extinguem, pois se renovam a cada amanhecer, para que eu prossiga firme, fortalecendo-me Naquele que sempre estendeu Suas mãos para me sustentar.
Por Ítalo Reis


