Meus olhos foram curados,
Aquela cegueira se dissipou.
O colírio limpou meus olhos,
E pude contemplar a verdade com amor.
Hoje, meus olhos choram feito cascata,
E, por dentro, transparecem alegria.
Não há prantos, nem saudades
Daquilo que eu fui algum dia.
Hoje vejo pelos olhos da vida
E tento alertar alguns corações
Que se encontram adormecidos,
Perdidos em meio a tantas ilusões.
Às vezes, não encontro palavras
Para o meu sentimento descrever,
Mas ele escorre naturalmente,
Sem ninguém ao menos perceber.
Eu tento relatar, em breves palavras,
Aquilo que a vida um dia me ensinou.
Com sua simplicidade singela,
Ela me instruiu sobre o significado do amor.
Talvez essa palavra soe forte aos ouvidos,
E poucos hão de compreender
A transformação que o amor nos causa
Sem que ninguém venha perceber.
Sua naturalidade é única e perfeita,
Ela se mostra tão singular,
Que apenas os simples a compreendem
E conseguem sentir seu puro perfume exalar pelo ar
Ela já bateu à minha porta um dia,
E eu pude recebê-la com todo amor.
Às vezes fui rude por não compreender,
Mas também pude aprender a amar pela dor.
Não era para meu peito se machucar;
Eu mesmo me danifiquei.
Plantei a mais bela flor no meu jardim,
Mas seus espinhos me perfuraram,
E eu nem sequer notei.
Hoje enxergo a minha trajetória
Como um belo amadurecimento.
Desde a juventude, aprendi a ser forte
Para enfrentar qualquer tempestade ou vento.
E, olhando para trás, compreendo
Nem toda dor veio para me destruir
Algumas vieram para abrir meus olhos,
Ensinar-me a amar
E, finalmente, aprender o que é a razão de existir.
Por Ítalo Reis


