O fim se aproxima e não há tempo para esperar, uma contagem regressiva e tudo se joga para o ar, de nada valeu tanta correria desnecessária, acumulação de coisas mortas, tempestades em copos d’água, confusões que no fim todos perderam, seu dinheiro, seu tempo, sua alma. De que adiantou tanto poder se no fim do túnel não houve luz, só houve o seu fim e seus meios que ficaram perdidos no meio do caminho? Um caminho que também estava se perdendo, que fez te perder, que perdeu a história, a memória e toda uma trajetória, trafegou entre os becos, entre bombas alarmadas, e a contagem regressiva que o leva para o nada. Como seria bom se pudesse voltar no tempo e ajustar seus passos, adentrar no caminho direito e vencer todo o cansaço.
A esperança ainda é a vida, que pulsa e que grita, que também silencia as vozes que te destroem, não há como empurrar para cima a areia da ampulheta, mas ela ainda está escorrendo por entre os vidros e a transparência mostra que mesmo que seu tempo esteja acabando você ainda tem tempo para reverter o seu caminho. A contagem regressiva para, a chegada da morte não para, mas você pode ultrapassar a linha tênue entre a morte e a vida, basta conscientizar a vida que nunca mais a perderá de vista. Não conte com o tempo, mas conte consigo mesmo, conte com o teu desejo de viver até não precisar mais contar nada, apenas viver.
Patrícia Campos
Tema Jeane



