Era uma vez um caminho, uma estrada pelo deserto; no calcanhar, um espinho o qual estava encoberto. Eram as mãos que o cobriam, protegendo-o; no chão as migalhas caíam, pois a contenção estava em seu tempo. O céu estendia o dia na esperança de uma visão; mesmo que fosse tardia, talvez houvesse a compreensão.
Ledo engano: a distração criava seu movimento. Dentro de um peito profano não há autodescobrimento. A estrada se torna cada vez mais longa; a distância entre a alma e o céu aumentava, enquanto o Eterno faz Sua ronda e percebe que nada o amparava.
Seria simples se os corações enxergassem a simplicidade e conseguissem compreender a razão do seu caminhar; não se desviariam, em hipótese alguma, desta estrada e ainda chamariam as gentes para voltarem para casa.
— Ó, símplices, voltem-se para cá… A voz de Deus ecoa, convidando a todos para voltarem a Ele, e é esta estrada interna que nos conduz à Sua vida. Não se sabe porque, em um caminho reto, criaram declínios; os pés, com tanta naturalidade, foram descendo, descendo em direção ao abismo de si mesmos. E não acharam o retorno, a saída para voltarem para si, perdendo-se, indo para longe do próprio eu. O que era para ser uma estrada reta, ligando a alma à vida, tornou-se um abismo com paredes de 90 graus, onde não há fundo, senão o fundo do seu próprio poço.
Patrícia Campos
Tema Ítalo


