O instinto animal ataca —
às vezes desarma,
às vezes alarma.
Foca-se, desfoca-se,
e age no calor da emoção,
sem medir consequências,
sem ouvir a razão.
Fala-se tanto em domar as próprias vontades,
em ter domínio sobre o que se pensa,
o que se fala,
o que se faz
Mas é a consciência quem dá o start
quem desenha a arte
e também sabe conter-se.
A ponderação repousa em suas mãos;
é dela que o verbo nasce,
é por ela que a ação acontece.
Ela carrega poderes silenciosos,
entre eles, o domínio próprio.
Por ela se manifestam os reflexos do ser:
virtudes e também opróbrios,
luz e sombra,
queda e superação.
O raciocínio lhe é inerente.
Quando funciona com minúcia,
com autocontrole e obediência,
não sai do eixo —
caminha firme pela trilha da vida,
transparente, consciente, segura.
Mas quando se dispersa,
a procedência se perde,
a indecência floresce,
e o ser se acomoda aos próprios conflitos,
sem lutar,
sem reagir,
sem se erguer.
Deixa pontas soltas
e nelas se enreda.
Vive à deriva de si,
sem saber para onde ir
nem como voltar.
Domar as próprias vontades
não é vaidade —
é liberdade sentida de verdade.
É reconhecer que a maldade ronda,
que o looping que criamos
nos prende em nós mesmos,
em repetições que sufocam,
em atos que ferem
o próprio coração pelas próprias mãos.
No calor da emoção,
silenciamos a razão.
Por isso é preciso pensar.
Raciocinar antes de agir.
Refletir antes de falar.
Autodominar-se para não falhar.
A existência que devemos exaltar
é aquela que nos dá a vida sem cessar.
Ela nos ensina o bem,
nos conduz ao equilíbrio,
nos chama ao alto.
Por meio dela espelhamos
a sabedoria que provém de Deus.
Se nos deixarmos guiar,
ela nos conduz de forma doce,
sem imposição,
mas com propósito claro.
Domando nossos passos,
afinando nossos impulsos,
rasgando o véu que cobre a visão
e impede o coração de enxergar.
É preciso dominar o animal
que insiste em habitar
esta casa que não lhe pertence:
a nossa alma.
Patrícia Campos
Tema: Lucinha


