Elo que prende

Não era para prender

Mas pelo bem, ser ligação

Unir, até fazer transcender

Desfazer tudo que se faz prisão

 

Produzir-se e despertar

Florir e amadurecer

A vida no imo manifestar

E desligar-se de tudo que irá fenecer

 

Consciência, fruto da criação

Espelho que reflete a existência

Tornou-se cela, prendendo o coração

Não buscou ser essência

 

Elo, por tantos ainda perdido

Cada vez mais longe de se encontrar

Um caminho justo e reto, traçado em cada íntimo

Seria a vereda do libertar

 

Mas a falta de compreensão

Corrompeu o sentido de olhar

Elo que prende própria imensidão

Coibiu sentimento de amar

 

Um dia se desfará a junção

E cada elo ficará solitário

Simetria incompleta, quebrantado coração

Por crer no conto do vigário

 

A vida se foi para sempre

A carne ruiu, tornando ao pó

Consciência sem corpo eternamente

Vazio do breu, sem piedade, nem dó

 

Elo, por tantos ainda perdido

Cada vez mais longe de se encontrar

Um caminho justo e reto, traçado em cada íntimo

Seria a vereda do libertar

 

Por Michele

Tema sugerido por Ítalo Reis