De que vale um elo onde as correntes falam mais alto? O vínculo deve ser por amor e pregar a liberdade. Não se deve prender àquilo que não dá permissão de ida; há a necessidade de sentir-se livre, de querer permanecer por escolha, e não por obrigação.
Toda alma deve ter sua liberdade, poder ir e vir sem nenhuma objeção ou compromisso — a menos que queira; que o preceito seja aplicado pela compreensão. Eu não quero me encarcerar. Quero ser prisioneira da liberdade, de poder tomar minhas decisões e não me arrepender delas; ser precisa, ter deliberação com propriedade. Afinal, quando o raciocínio é aclamado e ouvido, a obediência a ele nos torna livres de enganos e de más escolhas.
Que meu vínculo seja com a vida! Por ela, desejo ter laço, fazer aliança, ter conexão e afinidade. Uma sinergia inexplicável a olho nu, porém transbordante, a ponto de não se conter e se tornar visível por minhas ações.
Quero ser dependente da vida, e não do pó que me produziu; porque um dia este pó se deitará e, com ele, não terei mais nada. O elo que prende não é o elo que compromete. Prender não traz a conotação de desejar estar vinculado; é como estar unido por falta de opção. Agora, comprometer-se é quando você se dispõe a estar junto, a estar presente, a se enlaçar de livre e espontânea vontade.
Quero uma união estável, e só com a vida a terei. Ela é a simetria da minha alma, minha outra metade; o vínculo que me invade, sem que eu me sinta invadida.
Patrícia Campos
Tema Ítalo



