Evolução interna

O som dos passos revela o ritmo do fluir, e o sentido para onde se caminha ensina o destino que se almeja. Nem sempre a boca confessa o caminho trilhado; por vezes, ela silencia diante das mãos, que assumem o lugar da fala através do gesto. O verbo concretiza a intenção, mas é o coração que demonstra o que realmente carregamos no íntimo.

O desejo é o mestre que faz a ação da frase acontecer. E não apenas ele: os sentimentos conectam os pontos e desenham a jornada. Se o coração anseia, de fato, pela eternidade, cabe a ele ligar as extremidades — do ponto onde se está ao ponto onde se quer chegar — traçando a rota para seguir adiante.

O caminho para o eterno reside dentro de cada um de nós. Cabe ao desejo despertar o “querer ser”, pois sem ele, a alma não sai do lugar. É a consciência que dá corpo à determinação; a escolha pertence somente a ela, que deve caminhar com firmeza dentro de suas próprias decisões.

A evolução interna repousa nas mãos da consciência, pois é ela quem raciocina, molda ideias e age. Ninguém pode percorrer essa trilha por outro. O livre-arbítrio esculpe o nosso querer e através dele, definimos nossa evolução. Nada pode impedir quem deseja verdadeiramente trilhar esse caminho, assim como ninguém pode nos obrigar a segui-lo.

É uma questão de percepção, de compreender o que devemos a nós mesmos. Em algum momento, tudo o que é físico há de findar, e a única herança que restará será a alma. Quem não buscar, por si só, o desvio do caminho da morte, restará no vazio da própria solidão.

Tudo reside na compreensão: entender que é vital evoluir internamente, despir-se do que é efêmero e alinhar-se à vida que nos habita. Só assim alcançaremos nossas reticências — a continuidade de nós mesmos — muito depois que tudo isto aqui passar.

 

Patrícia Campos

Tema: Arthur